quinta-feira, 5 de novembro de 2015
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
> Press Release / Terra Separada II
De Atlanta para o Estoril
Fernando Gaspar, um dos mais assíduos e qualificados artistas presentes ao longo dos anos na Galeria de Arte do Casino Estoril, aí está de novo, veio de Atlanta para apresentar uma exposição, que é uma sequência, da que realizou, com grande sucesso, naquela cidade americana.
Esta exposição intitulada “Terra Separada II”, será inaugurada no próximo sábado, dia 17, às 17 horas, na “sua” Galeria, de há quase três dezenas de anos.
O sucesso da exposição apresentada em Atlanta, para além da sua qualidade, ficou a dever-se ao tema por ele escolhido, que são os acontecimentos que estão a desenrolar no médio oriente, como também a separação/invasão da Ucrânia e das dezenas ou centenas de migrações que todos os dias ocorrem nos países daquelas regiões que tem transformado o leste europeu num permanente campo de batalha, em que as maiores vítimas são as crianças e as mulheres. Fernando Gaspar entendeu que os artistas plásticos não se poderiam alhear destes violentos cenários.
O vermelho dos seus trabalhos, é a cor do sangue. O enorme barco todo destroçado é um protótipo de centenas ou milhares de outros barcos destroçados, que todos os dias nos são mostrados pelos ecrãs das televisões.
Para o homem a conquista e posse dos territórios transformou-se em uma história que dizem ser de vida, mas que acaba por ser de morte.
Esta exposição será sem dúvida marcante na carreira de Fernando Gaspar, pela especialidade do tema escolhido, que certamente muitos outros artistas irão acolher.
Não poderei deixar de sublinhar a invulgar qualidade plástica e modernidade desta mostra.
Por iniciativa de Fernando Gaspar e da Galeria de Arte do Casino Estoril serão doados à PAR - Plataforma de Apoio aos Refugiados, 10% das receitas da exposição. #refugiados .
Muito grato pela divulgação desta notícia.
Estoril, 15 de Outubro de 2015
N. Lima de Carvalho
Director da Galeria de Arte
sábado, 10 de outubro de 2015
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
TERRA SEPARADA II / making of
TERRA SEPARADA
A história da conquista e posse de território é a história da vida e nela, a da espécie humana.
Desde a mais remota consciência da noção de lugar - espaço ocupado, de contornos determinados por circunstâncias naturais ou provocadas - e para além das suas determinantes biológicas, se tem desenvolvida na mente humana em todas as suas manifestações racionais ou sensiveis, a necessidade de estar ligado ao meio, dele fazer parte, a si o adaptar, por si o dominar.
Para este ser emergente, mas inteligente e determinado, este processo, não raras vezes impetuoso, implica a constante marcação do espaço e a sinalização dos limites/fronteira, assumindo esta, como tarefa de vital importância práctica e simbólica.
É partindo da construção simbólica das noções de espaço, lugar, da significância do “dentro/pertença”, e do “fora/não pertença”, do que está contido e do que é contentor, que fica de alguma maneira estabelecida a noção de segurança e abrigo, com todas as consequências que essa apreensão desencadeia no meio e com os demais seres que o habitam e dele fazem parte.
A “presença” dominante em contraponto com a “ausência” pela dominação, o outro como finalidade a alcançar, tomando, incorporando ou anulando, ou o outro como a nossa medida, o aferidor das nossas reais proporções, como o fim ou linha limite do nosso alcance apropriativo.
O que em nós, individuos, começa por genético impulso, transforma-se, no colectivo, em fenómenos de identidade territorial, conceitos de espaço/nação, pertença, grupo, ligação.
Definir o homem, foi, é e também será pelo que ele faz no permanente uso de uma rede complexa de linguagens e códigos, elegendo cores, materiais, grafismos e objectos que reforçam essa marcação, enfatizando as semelhanças e denunciando as diferenças, numa primária e incontrolável apropriação de valores e direitos.
Esta é uma questão inquietante, vibrante e não resolvida em cada um de nós, tanto na nossa confinada dimensão pessoal como na ampla dimensão colectiva;
terra separada;
daqui parto, daqui saio atravessando delicadamente os lugares de fora, encontrando o outro.
2014_fg
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